Que J. Michael Straczynski conseguiu com "One More Day", estragar todos os seis anos em que escreveu o título Amazing Spider-Man, dando prosseguimento à uma das mais controversas decisões editorais e um dos maiores absurdos já publicados na história das histórias em quadrinhos, tendo recebido críticas negativas de forma unânime, todo mundo já sabe.
Logo, não foi por nada que a primeira edição da nova fase do herói foi publicada DE GRAÇA pela editora. Todo ano há, nos EUA, o Comic Book Free Day, aonde as editoras costumam distribuir edições gratuitamente, como forma de incentivar a leitura. E só de graça pra alguém se interesser por Homem-Aranha depois da BOMBA que foram as últimas histórias. Ainda bem que fizeram isso, pois perderíamos uma ótima história.

Spider-Man: Swing Shift
Roteiro: Dan Slott
Desenhos: Phil Jimenez
Arte-final: Andy Lanning e John Dell
Janeiro de 2008
Marvel Comics
"Mudança de Rumo", como a história ficou conhecida no Brasil, dá o tom de como serão as histórias do Homem-Aranha de agora em diante. Publicada no Brasil em Homem-Aranha #83, a história mostra ao leitor desanimado com o que haviam feito recentemente com o personagem que, de agora em diante, voltarão o personagem à suas origens, àquilo que o tornou um sucesso. Histórias com muita ação, vilões carismáticos, o protagonista enfrentando dificuldades, enfim, tudo aquilo que, anos atrás, fez de Peter Parker um ícone e um dos maiores personagens dos quadrinhos. O título já entrega: chega de idiotices, vamos mudar o personagem pro que funciona.
E, cara, como Dan Slott foi bem-sucedido. Em 20 páginas, ele entrega tudo que alguém poderia querer num gibi do Aranha. Ação, piadas, uma trama dinâmica, e vilões interessantes.
A trama é simples: É aniversário da Tia May, Peter comprou um bolo, mas um vilão se mete no meio. Pronto. Sem conspirações contra o herói, novo uniforme, ligações com o mega-evento da editora... Nada disso. Apenas uma boa história do Amigão da Vizinhança. A trama introduz o que, aparentemente, serão os elementos-chave das vindouras histórias:
- Peter está solteiro e desemprego, correndo atrás de dinheiro. Enquanto isso, mora com a tia.
- Há uma nova heroína em Nova York: Loteria, uma misteriosa e super-poderosa ruiva.
- Há uma nova heróina? Há também um novo vilão, o Sr. Negativo.
- A polícia e a população reagem de formas extremas à presença do Aranha: alguns o apoiam, o idolatram, outros o querem preso.
Phil Jimenez dá a história a caracterização que precisa, entregando um trabalho excelente, como de costume. Seu traço para pessoas segue o esquema clássico, na escola George Pérez de mesclar anatomia realista com um traço bem "gibi". Bem diferença do traço foto-inspirado de gente como Bryan Hitch e J.G. Jones, igualmente talentosos, mas com outros estilos.
Seu Homem-Aranha, a primeira vista, combinaria pouco com esse estilo - ainda me incomoda o design que Jimenez usou para a máscara do personagem, mas a vitalidade que imprimiu às cenas de ação e à movimentação do personagem, algo semelhante ao que Todd McFarlane fazia, compensam qualquer defeito.
No final das contas, uma boa edição, com diversos novos conceitos (e alguns antigos trazidos de volta) sendo apresentados. Feijão-com-arroz temperado da melhor forma. Valeu a pena dar uma nova chance ao cabeça-de-teia. O futuro parece promissor.
