sábado, dezembro 13, 2008

Savage Dragon: Interlúdio violento

Antes de dar prosseguimento às várias tramas que tinha para Dragon - e das quais começarei a falar em breve, Larsen nos concede uma "pausa". Mas é uma pausa no melhor estilo Dragon. Uma edição composta inteiramente de quadros de página inteira, retratando, enfim, o combate entre Dragon e Overlord, o chefão do crime em Chicago. 

Uma edição cheia de ação, perfeita para mostrar todo o talento de Larsen, e, bem, conceder ao leitor uns minutos de puro escapismo.

Savage Dragon #07
Roteiros, desenhos e arte-final: Erik Larsen
Janeiro de 1994
Image Comics

Sabe aqueles momentos em filmes como The Dark Knight, em que acontecem momentos-chave, e uma música épica toca lentamente, mostrando um crescendo na história? Essa edição de Dragon tem justamente essa pegada. 

Nas últimas seis edições, só se falou de uma coisa: Overlord a escalada do crime em Chicado. Frank Darling, tenente da polícia e amigo pessoal de Dragon, estava sendo chantegeado para impedir que Dragon prejudicasse os negócios de Overlord. Mas, quando sua esposa o abandona, ele decide contar à Dragon toda a verdade. Juntos, ele decidem encarar o vilão de uma vez por todas e prendê-lo.

Mas tudo vai ralo adentro. Frank é assassinado, a única testemunha do caso é envenada na prisão, e Dragon recebe a maior surra até aqui, tendo sua mão obliterada, e seu abdome perfurado. 

A edição termina da pior forma possível. Deu tudo errado. Overlord está mais poderoso do que nunca e agora não há mais provas para condená-lo. Larsen dá um tremendo murro no estômago do leitor que achava que as coisas iam terminar bem.  E faz isso de maneira excelente, entretando. Seus desenhos estão melhores do que nunca, e a estrutura de quadros inteiros lhe permitiu uma maior quantidade de detalhes. É impressionante o seu domínio de perspectiva e a forma como brinca com imagens mais diretas, mais icônicas, que dizem tudo sem precisar de muitos diálogos ou recordatórios. Um show de como se desenhar (e, claro, contar) uma história em quadrinhos. 

Para Dragon, as coisas ainda vai piorar muito antes de melhorar. Ele, até este ponto, não havia sido tão machucado. Será que dará conta de se recuperar?

domingo, dezembro 07, 2008

Dragon: Uma questão de sangue e tripas

Entre a última edição da minissérie que lhe deu origem e o primeiro número do título mensal de Savage Dragon, há uma lapso de mais ou menos um ano, um ano e meio. Para contar essa história, Erik Larsen chamou um artista relativamente desconhecido, mas de muito talento:Jason Pearson, para escrever e desenhar uma minissérie em 3 partes.

The Dragon: Blood & Guts #01 à 03
Roteiro e desenhos: Jason Pearson
Arte-final: Karl Story
Março à Maio de 1995
Image Comics

Hoje, Pearson é sinônimo de um arte estilizada e cheia de dinamismo. Criador da série Body Bags, é um daqueles desenhistas estilo Art Adams, que possui uma arte diferente do que se costuma ver, mas que só trabalha uma vez ou outra, e geralmente fazendo capas ou histórias curtas ao lado de criadores importantes, como Alan Moore, Warren Ellis, Geoff Johns e Brian Bendis. Mas em 1995 ele não passava de uma cópia do Humberto Ramos, cuja experiência se resumia à uma série de fill-ins no título da Legião de Super-Heróis.

De todos os profissionais no mundo, Larsen foi entregar justamente pra esse cara a responsabilidade de escrever e desenhar seu personagem? Por essa decisão, de dar chance à um emergente talento, eu congratulo Larsen, que seguiu os preceitos da Image de apresentar novos personagens, novos artistas, enfim, um novo rumo pro mercado. Pelo resultado final, entretanto...

Pearson simplesmente não conseguiu acertar o tom do personagem. As histórias de Dragon são violentas, mas não são pura e simplesmente sobre violência. E as três edições dessa minissérie são basicamente isso. Violência. Sangue. Cabeças explodindo. Há citações interessantes, como o barman chamado Jon Woo, mas, na maior parte das vezes, eu fiquei me sentindo constrangido com as inúmero tentativas de Pearson de imitar a violência estilizada que Quentin Tarantino coloca em seus filmes. 

A trama é a mais simples possível: Dragon é convocado para acompanhar Alicia, testemunha-chave de um importante caso da promotoria de Chicago. O ex-marido de Alicia é um assassino psicótico, e ela deve ser levada até um local seguro até o dia do julgamento, para prevenir que seu ex-marido faça alguma coisa contra ela. Todos os vícios presentes nas histórias da décade de 90 estão aqui: ação descerebrada, diálogos compostos de frases de impacto, situações absurdas, páginas duplas, enfim, todo o pacote. 

O vilão é um contrasenso. Inicialmene retratado como um psicopata capaz de matar centenas de pessoas, incluindo aí toda uma comunidade católica, cujos corpos ele deixou pra apodrecer dentro da igreja, ele se torna, no meio da história, um coitado que segue ordens sem reclamar, mas hesita em matar a esposa. Cada uma das edições termina com um twist, um gancho pra tentar atrair o leitor pra próxima edição. Mas os diálogos são tão ruins, as revelações tão previsivéis, e, pior, Pearson esquece noções básicas de perspectiva na hora de desenhar. Eu mal conseguia arranjar coragem para ler a edição seguinte. Dessa vez, não funcionou, e estou bastante receoso em ler novamente o Dragon sendo escrito por qualquer pessoa que não o Larsen, aparentemente, o único que consegue balancear os elementos do personagem: humor, ação frenética, violência e diálogos interessantes.

The Darkness encontra-se com Aphrodite

Peguei a mais recente edição de The Darkness receoso. A edição anterior havia me deixado uma ótima impressão, e as expectativas estavam altas do meu lado. Mas, logo na capa, um anúncio, no mínimo bizarro pra quem esperava uma trama de terror: "Participação especial de Aphrodite IV". Aphrodite é uma outra personagem do universo Top Cow, e não imaginava uma assassina de um futuro pós-apocalíptico se envolvendo com um ex-mafioso como uma mistura que pudesse dar muito certo...

The Darkness #08
Roteiro: Phil Hester
Desenhos e arte-final: Jorge Lucas
Dezembro de 2008
Image Comics

A edição anterior foi basicamente um one-shot, uma história curta perfeita para fisgar novos leitores. Funcionou comigo, não foi? Mas essa edição é tão boa quanto a anterior nesse quesito. Uma nova trama se inicia, poucos detalhes são revelados, mas muita coisa já acontece. 

Phil Hester quer tornar o potencial de Jackie Estacado uma realidade. Diminuir os poderes da Escuridão e a capacidade de Jackie usá-los poderia parecer desnecessário, mas isso foi feito para dar menos destaque à coisas como os darklings, monstros cheios de humor negro e gore que a Escuridão fazia surgir e mais destaque à quem Jackie verdadeiramente é: um homem que já matou muito na vida, perdeu tudo que lhe era importante, e agora tem que se virar sozinho. Um malandro que sabe exatamente como e quem sacanear pra se dar bem. Nessa edição, Jackie está tentando aplicar um golpe usando um carregamento de armas no mercado negro, mas seus planos são frustrados por uma misteriosa mercenária de cabelo verde - a tal da "Aphrodite IV". 

Hester brinca com o leitor. Relega a escuridão à mera coadjuvante, aparecendo tão pouco que mal se percebe. A estrela é Jackie. Um homem impulsivo, mas cheio de recursos. A batalha entre ele e Aphrodite é muito bem conduzida, com direito ao politicamente incorreto uso de animais como escudo. O mesmo pode ser dito dos diálogos entre Jackie e qualquer personagem. Jackie possui uma "voz" identificável, você reconhece o personagem nos diálogos, sem forçar a barra nem parecer um bando de letras juntas. Sabe aquele pensamento de "é bem isso que ele diria mesmo"? Pois é isso aí.

Sobre a arte de Jorge Lucas não há muito pra se falar. O cara manda muito bem. Nessa edição, lembra bem menos o Gary Frank e cada vez mais o Jae Lee, com uma arte mais limpa e cheia de referências fotográficas. A colorização de Lee Loughridge contribui, e muito, para passar essa impressão. 

A edição termina com um gancho - claro, estamos apenas no início do arco. As respostas? Só na próxima edição. Há ainda a importante adição de uma página explicativa, que introduz o leitor novato - eu - à Aphrodite, explicando um pouco sua origem e o fato de ser antecessora da personagem criada por David Finch e David Wohl, cuja série até já foi publicada no Brasil. Nada de futuro pós-apocalíptico aqui, apenas um assassina que já passou pelo devido treinamento (essa, pelo visto, não é sua primeira aparição) e cuja missão é capturar Jackie. Interessante ver essa integração entre os personagens da Top Cow. Mostrar um universo coeso, com os acontecimentos de um título repercutindo no outro mostra que há um planejamento à longo prazo pela parte editorial, o que me permite pensar que teremos boas histórias de Phil Hester por um bom tempo - e, quem sabe, eu não acabe dando uma chance à Witchblade de Ron Marz?

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O combate final entre Dragon e Solar Man

Quando comecei a ler Savage Dragon, lá na edição 139, havia uma série de tramas acontecendo simultaneamente. Mas uma atuava como fio-condutor da história: Solar Man, um super-herói claramente inspirado no Superman, havia resurgido, e entrou numa cruzada contra o mal, executando sem dó tanto super-vilões quanto criminosos menores. 

Dragon estava procurando por sua esposa desaparecida, mas as ações de Solar Man já estavam ultrapassando todos os limites. Era preciso fazer algo. As circunstâncias levaram-no à formar uma parceria com Invincible, Witchblade, Spawn e Shadowhawk - heróis criados por alguns dos outros sócios da Image Comics, ao lado de Larsen. 

E tudo que Larsen vinha construindo nas dez, doze últimas edições chega à um épico desfecho.

Savage Dragon #141
Roteiro, desenhos e arte-final: Erik Larsen
Novembro de 2008
Image Comics

Em primeiro lugar, parabéns à Larsen. Após anos de incontavéis atrasos na hora de lançar novas edições de Savage Dragon, por causa de seus compromissos como editor-chefe da Image Comics, Larsen não apenas voltou a publicar regularmente Dragon, como está lançando edições quase que quinzenalmente, para compensar. A trama de Solar Man  vinha sendo lentamente construída desde 2006, quando foi lançada a 128a edição, e tornou-se o foco da revista nas últimas três edições. Praticamente tudo que precisava ser dito já o foi. Agora é hora do confronto final - e é isso que Larsen entrega. Há apenas uma rápida pausa de uma página para tratar de uma das tramas paralelas da revista - quase como se Larsen quisesse nos conceder uma pausa para respirar - enquanto o restante da edição se dedica única e exclusivamente ao ferrenho combate contra Solar Man.


Enquanto Spawn, Witchblade, Dragon e Invincible passam por grandes dificuldades para dar conta de Solar Man, Shadowhawk investiga o esconderijo secreto do enlouquecido ex-herói. Ao seu lado está Rex, um amigo de Dragon. É Rex quem acaba descobrindo a verdade sobre os cada vez maiores poderes de Solar Man. Quando surgiu, em 1938, ele era consideravelmente fraco, então, como poderia ter poderes tão grandes hoje em dia? Ele extraia os poderes de diversos outros heróis, que ele havia aprisionado. Eram "heróis esquecidos" da década de 40, que ninguém mais lembra hoje em dia. Rex libera os heróis, o que enfraquece Solar Man, permite a vitória num primeiro momento, mas causa um novo combate, contra esses heróis esquecidos, que não sabiam que eram prisioneiros de Solar Man, então, partem em sua defesa.

Não há muita história - nem precisa. Tudo que vinha sendo construído culmina aqui. Me lembrou um pouco a última edição do primeiro volume de Os Supremos. Mas mesmo numa edição cheia de pancadaria, Larsen joga novos conceitos que serão trabalhados. O maior deles, evidente, é o retorno de todos esses super-heróis, algo similar ao que Alex Ross fez em Project Superpowers, mas as consequências da vitória contra Solar Man, que, aos olhos do público, ainda era o maior herói do mundo, repercutirão fortemente na vida de Dragon. Não é a melhor das edições pra se começar a ler Dragon, por se tratar da conclusão de um "arco", mas é impossível não se empolgar com as cenas de lutas aqui retratadas e ficar curioso pelo que virá a seguir. Pra quem acompanha, é uma edição que supera todas as expectativas e leva o personagem à um novo patamar. As próximas edições prometem lidar não apenas com essa nova situação, como fechar outras pontas soltas, como o paradeiro da mulher de Dragon. 


quinta-feira, dezembro 04, 2008

Homem-Aranha: Mudança de Rumo

Que J. Michael Straczynski conseguiu com "One More Day", estragar todos os seis anos em que escreveu o título Amazing Spider-Man, dando prosseguimento à uma das mais controversas decisões editorais e um dos maiores absurdos já publicados na história das histórias em quadrinhos, tendo recebido críticas negativas de forma unânime, todo mundo já sabe

Logo, não foi por nada que a primeira edição da nova fase do herói foi publicada DE GRAÇA pela editora. Todo ano há, nos EUA, o Comic Book Free Day, aonde as editoras costumam distribuir edições gratuitamente, como forma de incentivar a leitura. E só de graça pra alguém se interesser por Homem-Aranha depois da BOMBA que foram as últimas histórias. Ainda bem que fizeram isso, pois perderíamos uma ótima história.

Spider-Man: Swing Shift 
Roteiro: Dan Slott
Desenhos: Phil Jimenez
Arte-final: Andy Lanning e John Dell
Janeiro de 2008
Marvel Comics


"Mudança de Rumo", como a história ficou conhecida no Brasil, dá o tom de como serão as histórias do Homem-Aranha de agora em diante. Publicada no Brasil em Homem-Aranha #83, a história mostra ao leitor desanimado com o que haviam feito recentemente com o personagem que, de agora em diante, voltarão o personagem à suas origens, àquilo que o tornou um sucesso. Histórias com muita ação, vilões carismáticos, o protagonista enfrentando dificuldades, enfim, tudo aquilo que, anos atrás, fez de Peter Parker um ícone e um dos maiores personagens dos quadrinhos. O título já entrega: chega de idiotices, vamos mudar o personagem pro que funciona

E, cara, como Dan Slott foi bem-sucedido. Em 20 páginas, ele entrega tudo que alguém poderia querer num gibi do Aranha. Ação, piadas, uma trama dinâmica, e vilões interessantes. 
A trama é simples: É aniversário da Tia May, Peter comprou um bolo, mas um vilão se mete no meio. Pronto. Sem conspirações contra o herói, novo uniforme, ligações com o mega-evento da editora... Nada disso. Apenas uma boa história do Amigão da Vizinhança. A trama introduz o que, aparentemente, serão os elementos-chave das vindouras histórias: 
  • Peter está solteiro e desemprego, correndo atrás de dinheiro. Enquanto isso, mora com a tia.
  • Há uma nova heroína em Nova York: Loteria, uma misteriosa e super-poderosa ruiva.
  • Há uma nova heróina? Há também um novo vilão, o Sr. Negativo.
  • A polícia e a população reagem de formas extremas à presença do Aranha: alguns o apoiam, o idolatram, outros o querem preso.
Phil Jimenez dá a história a caracterização que precisa, entregando um trabalho excelente, como de costume. Seu traço para pessoas segue o esquema clássico, na escola George Pérez de mesclar anatomia realista com um traço bem "gibi". Bem diferença do traço foto-inspirado de gente como Bryan Hitch e J.G. Jones, igualmente talentosos, mas com outros estilos. 

Seu Homem-Aranha, a primeira vista, combinaria pouco com esse estilo - ainda me incomoda o design que Jimenez usou para a máscara do personagem, mas a vitalidade que imprimiu às cenas de ação e à movimentação do personagem, algo semelhante ao que Todd McFarlane fazia, compensam qualquer defeito.

No final das contas, uma boa edição, com diversos novos conceitos (e alguns antigos trazidos de volta) sendo apresentados. Feijão-com-arroz temperado da melhor forma. Valeu a pena dar uma nova chance ao cabeça-de-teia. O futuro parece promissor.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Yo Joe! G.I. Joe #0

Finalmente chegou aqui em casa, após um bom mês de espera, meu exemplar de G.I.Joe #0, novo título da IDW Publishing que almeja relançar a franquia nos quadrinhos. 

G.I. Joe: A New Beginning #0
Roteiros: Chuck Dixon, Larry Hama, Mike Costa e Christos Cage
Desenhos: Robert Atkins, Tom Feister e Antonio Fuso
Outubro de 2008
IDW Publishing

A história contêm três histórias curtas, que servem como um preview para três séries que começarão a ser publicadas em 2009. 

A primeira história, "One Word", é escrita por Chuck Dixon e desenhada por Robert Atkins. Nela, um carqueiro está transportando ilegalmente armas. A missão dos soldados, cujos codinomes, descobrimos, são Duke, Flint, Torpedo e Beach Head, é invadir o carqueiro e descobrir quem o patrocionou. A história é curta, tem apenas 6 páginas, e pouco revela sobre quem serão os G.I.Joe, como será o título que Dixon escreverá, mas já dá o tom: uma abordagem mais realista, baseada no extenso conhecimento militar de Dixon, mostrando o primeiro confronto do Joes com a organização Cobra. Nada de armas de raios ou uniformes chamativos. Ao invés disso, missões secretas, uniformes camuflados e armas que qualquer outro exército poderia esta usando. 

Robert Atkins entrega um trabalho competente, lembrando um pouco um dos meus desenhistas favoritos, o Tom Raney. Atkins possui o adequado conhecimento de anatomia e perspectiva. Sua arte não se sobressai ao roteiro, acompanhando-o igualmente. 


A segunda história, "In or Out?", é a mais eletrizante, apesar de curiosamente se passar dentro de uma sala. Em apenas cinco páginas, e mostrando apenas a conversa entre dois personagens, a trama consegue transmitir toda a tensão da situação. Escrita por Larry Hama e desenhada por Tom Feister, a trama mostra o General Hawk questionando um soldado sobre um recente incidente envolvendo um misterioso ataque perpretrado contra um comboio militar. 

Hawk quer recrutá-lo, mas não diz para o que. "Você está dentro ou não?", é tudo que ele pergunta. Hawk calmamente monta uma pistola, enquanto aguarda a resposta. O soldado, mesmo com muitos receios, aceita. A história termina com Hawk dizendo "A partir de agora seu nome é Duke". 

Hama escreveu G.I. Joe por anos, quando o título era publicado pela Marvel Comics, e é considerado a maior autoridade sobre os personagens. Então, ninguém mais apropriado para escrever um título que reimagina a formação dos Joes, antes mesmo deles confrontarem a Cobra. Nos desenhos, Tom Feister, conhecido por ser arte-finalista de Tony "Ex Machina" Harris. Sua arte é bem diferenciada, usa um esquema de cores mais pálido, mas estilizado o suficiente para agradar os olhos. Sua história entrega pouco da trama, mas muito da abordagem que dará à trama: Joes mais realistas, refletindo os últimos acontecimentos e representandos como um verdadeiro exército, tendo que agir muitas vezes em segredo e tomar decisões complicadas. O último diálogo é impactante:

Por último, há "Deep Cover", escrita por Christos Cage e Mike Costa e desehada por Antonio Fuso. Fuso possui uma arte bem noir, e lembra um pouco Eduardo Risso e Michael Lark. Apesar dos dois outros títulos terem equipes criativas mais interessantes - Dixon é um especialista em títulos militares, e Larry Hama é Larry Hama - é "G.I. Joe: Cobra", título que emergirá dessa curta história de 5 páginas que possui a premissa mais interessante. Nele, veremos Chuckles, um Joe infiltrado no submundo do crime que entra na Cobra, para investigá-la. Mostrar o lado dos vilões já é motivo mais que suficiente para esse relançamento. O protagonista, cujo codinome no final é revelado como Chuckles, tem poucas das suas caractéristicas reveladas. Mas é um espião à tanto tempo infiltrado, tendo assumido tantas identidades diferentes, que já mal sabe quem verdadeiramente é. Não conheço o trabalho de Mike Costa, mas Christos Cage é um dos grandes escritores sub-aproveitados no mercado atualmente. Confio plenamente no seu trabalho.

Há ainda sketches dos personagens, por Atkins e uma curta entrevista com os autores.  Em Fevereiro, sai a primeira edição de "G.I. Joe", por Chuck Dixon e Robert Atkins. Em Fevereiro, "G.I. Joe:  Origins", por Larry Hama e Tom Feister. Por último, em Março, "G.I. Joe: Cobra", por Mike Costa, Christos Cage e Antonio Fuso. Aguardem mais comentários por aqui, com certeza.

sábado, novembro 29, 2008

Savage Dragon: Uma força em que podemos contar


Savage Dragon #01 à 06
Roteiro, desenhos e arte-final: Erik Larsen
Junho à Novembro de 1993
Image Comics

Após o sucesso da minissérie em que apresentou o personagem, Erik Larsen lançou um título mensal, dando continuidade à história. O diferencial do universo criado por Larsen é que ele se passa mais ou menos em tempo real. Passou-se um ano desde o final da minissérie? Passou um ano na trama também. Hoje, Dragon está quinze anos mais velho do que nessa edições, já tem um filho pré-adolescente, à cada quatro anos Larsen mostra as eleições americanas, e por aí vai...

Dragon está na polícia à cerca de um ano e meio, e continua sendo o único "super-tira" numa Chicago infestada de aberrações. As seis primeiras edições podem ser resumidas numa palavra: Porrada. Larsen infesta a revista da maior quantidade possível de cenas de luta, de tudo quanto é jeito, com inimigos de todas as formas e tamanhos. E são todas muito bem conduzidas e empolgantes. A primeira edição começa sem enrolação, com Dragon partindo pra cima de Shrew, um homem-rato assassino. E apanhando.

Após essa derrota, Dragon tenta lidar com o luto pela morte de sua quase-namorada Debbie e a desconfiança que está sentindo de seu único amigo, o tenente Frank Darling. Para lidar com essas emoções, nada melhor do que extravasar num super-vilão. Dragon e Shrew tem uma revanche e, dessa vez, Dragon não perde. 

A segunda edição mostra Dragon em Nova York, se encontrando com as Tartarugas Ninjas

Novamente, mais cenas de luta bem conduzidas por Larsen, mas com uma trama de fundo se construindo: Frank mandou Dragon para Nova York para que ele não atrapalhasse os planos de Overlord, chefão do crime-monstro em Chicago, que está chantageando-o. E é na segunda edição que Larsen começa a usar um recurso que se tornaria bastante comum na série: "fugir" da trama principal por uma, duas páginas, e mostrar acontecimentos paralelos, que repercutirão mais pra frente. Surge Dart, uma nova heroína em Chicago. Pistas sobre a identidade do herói Star, que apareceu na minissérie de 1992, são insinuadas. 
 
Nas duas edições seguintes, a trama vai "crescendo", com novos coadjuvantes surgindo, como Barbaric, Ricochete e Rapture. Novos inimigos também se revelam. E, como sempre, sequências de luta que se prolongam por várias páginas - mas sem nunca se tornarem enfadonhas - da forma mais exagerada e divertida possível. Na quarta edição, conhecemos uma das personagens mais carismáticas que Larsen criou: Horridus, uma adolescente cuja pele é totalmente coberta de espinhos. 

A quinta edição começa a amarrar as pontas soltas anteriormente. Surge a Freak Force, uma força-tarefa liderada por Dragon e formada por "monstros" bem-intencionados.  


E é aí que vemos o quanto que Larsen entende de quadrinhos. Savage Dragon é o título de quadrinhos feito para aquele leitor que cresceu lendo Marvel e DC, e, depois de um tempo, fica desestimulado com os rumos que a indústria vai levando no geral. Para até de se identificar com os personagens - afinal, ele cresceu. E quando ele começa a questionar se vai continuar ou não lendo HQs, surge o selo Vertigo, de "quadrinhos adultos". Só que muitas das coisas que a Vertigo faz são tão ruins quanto os quadrinhos normais - com a diferença de serem mais pretensiosas. Dragon é esse meio-termo. É um título de super-heróis, ainda naquela  "zona de conforto" do leitor, mas com temáticas mais inteligentes, mais adultas, que respeitam a evolução do leitor. Mas não deixa de ser divertido, não deixa de ser violento. Não se pretende aqui filosofar nem discutir o estado da nação, mas se divertir com um material diferenciado

Por que? Simples: Numa passagem antológica, vemos as repercussões da Dart usar seus dardos contra um criminoso - um processo de brutalidade policial. E isso gera um efeito dominó que faz com que a Freak Force seja obrigada à usar o clássico uniforme azul da polícia americana, e não os maiôs decotados que as meninas vinham usando. Você quer ser um policial? Tem que seguir as regras que todo bom policial segue, oras. Isso acaba fazendo com a Freak Force debande antes mesmo de se estabelecer. Os membros continuarão combatendo o crime, mas não como policiais, pois não querem se sujeitar ao excesso de normas.

Dragon termina a sexta edição como começou a primeira: sozinho. Mas, dessa vez, Frank está do seu lado. Ele confessa tudo que Overlord tem lhe feito passar e os dois decidem dar um fim - de uma vez por todas - nesse "rei do crime". Não é só isso que acontece nessas seis edições de Savage Dragon. Há muito mais, só que Larsen deixa subentendido, como a origem do Mighty Man, que só vai ser explorada mais pra frente. Todos os conceitos são apresentados de relance, e só uns poucos trabalhados de imediato, deixando o leitor curioso pra ver como as coisas terminarão. 

Agradeço enormemente ao Daniel Sakavicious, colega que me apresentou o personagem e me instigou a curiosidade de conhecê-lo. Uma das coisas mais bacanas que qualquer fã de quadrinhos pode ter a oportunidade de conhecer, mas que acaba sendo deixada de lado em favor de títulos medianos, com personagens mais famosos. Continuarei, definitivamente, avaliando tanto as edições mais recentes - lançadas cada vez mais rápido, por um Larsen correndo para compensar os últimos atrasos - quando as antigas edições. 

quinta-feira, novembro 27, 2008

Ajustes

O blog passou por sutis mudanças. Justifiquei o texto de todos os posts, copiei o Noturno, do Situação Crítica, e inclui os dados de cada edição revisada. 

Ainda estou buscando uma  "identidade" para o blog. Isso fica difícil uma vez que eu ainda não encontrei a minha própria. Não terei notícias aqui - já temos gente demais fazendo isso (mal, muitas vezes) pela internet. Eu não leio esses blogs, nem pretendo ser um deles. 

Gosto de blogs segmentados - Demolidor Direto é a referência atual - mas meu paladar é vasto demais pra consumir só um tipo de coisa. Quero falar sobre cinema, mas não muito.  Mexi algumas coisas no layout, virei uma versão bizarra do Situação Crítica (blog que me estimulou à voltar, não escondo), e inclui algumas coisas bacanas na barra lateral. Sugestões?

Estou adorando voltar com o blog. Adoro escrever. Talvez volte com os textos sobre o que tem acontecido comigo, e o que tenho observado nos outros. Fizeram bastante sucesso nas fases anteriores do TnE. No mais, seguirei comentando Savage Dragon, uma das minhas séries favoritas atualmente, e continuarei postando sobre séries bacanas que as pessoas geralmente deixam passar. Provavelmente irei falar sobre títulos mais "normais", como Homem-Aranha e X-Men, mas de forma diversificada. 

Em síntese, é isso. Vamos ver como funcionará daqui pra frente.

Continuando com Savage Dragon

Savage Dragon #140
Roteiro, Desenhos e Arte-final: Erik Larsen
Image Comics

Viciante. Se tem uma coisa que Savage Dragon é, com certeza, é viciante. Larsen escreve várias tramas ao mesmo tempo, e sempre termina a edição de forma que você fica curioso para ler logo a próxima. O final da edição 139, que conta com a participação do Invincível, mostra tudo indo pro ralo. Solar Man, um Superman que entrou num surto assassino, matou uma quantidade absurda de super-vilões de uma vez só. E gente inocente foi no meio. E está óbvio que ele está à um passo de começar a matar até ladrões pé-de-chinelo, na sua jornada para erradicar o crime.

Só de ver capa, você já se empolga. A edição foi anunciada com bastante antecedência e gerou grandes expectativas por prometer juntar Dragon com diversos heróis da Image Comics. No mínimo, sairia algo curioso.
A edição 140 deixa um pouco de lado as tramas paralelas, como a perseguição ao heróis Star e Red Giant, o fato da She-Dragon ter sido sequestrada... Isso sem falar da odisséia do filho de Dragon para escapar de um universo paralelo...
O foco é justamente tratar da psicose do Solar Man, que está perseguindo injustamente uma inocente. Invencível e Dragon vão ao Pentágono, buscar ajuda do governo, e são surpreendidos com a resposta: O governo não tem problema nenhum com o fato de Solar Man estar matando centenas de criminosos. 

Naquelas coincidências que só acontecem nos quadrinhos, Dragon e Invencível vão para em Nova Iorque na trilha de Solar Man, e quem está em Nova Iorque? Spawn, sendo perseguido por policiais,
 enquanto Sara Pezzini, a portadora da Witchblade, tenta protegê-lo, sem muito sucesso. Quando as coisas não poderiam piorar para Spawn, aparece o Solar Man, querendo matá-lo. Nessa hora, surgem Dragon e Invencível. 

Savage Dragon. Spawn. Invincible. Witchblade. Se o Youngblood aparecesse, aí estaria a "cara" da Image, resumida. Os maiores e mais populares personagens de uma editora, juntos.

Paralelo à esses acontecimentos, Rex, um cientista amigo de Dragon, se encontra com Shadowhawk, um herói menos conhecido da Image, criado por Jim Valentino nos anos 90. Os dois vão até à Cidadela da Reclusão (uma clara referência à Fortaleza da Solidão de Superman) atrás de alguma coisa que os ajude à derrotar Solar Man. 

A edição é basicamente uma grande luta entre os heróis da Image e Solar Man. E se tem uma coisa que Erik Larsen sabe fazer são cenas de luta. Seus desenhos estilizados podem não agradar à todos, mas ele possui grande domínio da narrativa e sabe "construir" páginas de maneira competente. Essa edição é um ponto melhor para começar à ler Dragon do que a edição anterior por introduzir novos elementos e ter menos referências à coisas antigas. Sugiro que se comece por aqui.  A trama vai crescendo, e mal posso esperar para ler a próxima edição, com a conclusão da história.  Continuo recomendando e reforço: Leia Savage Dragon como seu sua vida dependesse disso. É um dos melhores títulos de super-herói sendo publicado atualmente.

sexta-feira, novembro 21, 2008

A origem de Savage Dragon

Na verdade, esse post não é sobre a origem do personagem (que chegou a ser lançado no Brasil tem um tempinho), mas sobre a minissérie que lhe deu origem...

The Savage Dragon #01 à 03
Roteiros, desenhos e arte-final: Erik Larsen
Julho, Outubro e Dezembro de 1992, respectivamente
Image Comics

Em uma palavra? Frenético. As três edições da minissérie são como um blockbuster de verão: Diálogos bacanas, ação incessante e personagens carismáticos. Mas diferencia-se ao incluir, escondido com tantas cenas de lutas, tiroteios e explosões, um roteiro interessante, que te instiga na leitora e a saber mais sobre esses personagens.

A história possui muitos dos vícios dos anos 90: Excesso de violência, sangue em profusão, dentes cerrados...
...mas, ao mesmo tempo que é um produto daquela década, é uma crítica à mesma. 
Com uma trama simples - Chicago está sendo ameaçada por uma organização criminosa que encheu a cidade de monstros - Larsen acaba refletindo sobre o estado dos quadrinhos na época. Os vilões lembram personagens da Marvel e DC Comics, mas corrompidos pela política "sanguenuszóio" do momento. Logo na primeira edição, o Superpatriota e o Poderoso (versões de Larsen para o Capitão América e o Superman, típicos heróis da Era de Ouro dos quadrinhos) são brutalmente derrotados pelos vilões. A falta de esperança de Frank Darling, um policial de Chicago, frente aos acontecimentos, parece refletir a falta de esperança do leitor comum frente ao sucesso dos heróis violentos. 

Quem poderia fazer frente à esses monstros, e honrar a memória dos heróis de antigamente?


Segundo Larsen, teria que ser também um monstro. Um monstro chamado "Dragon". Dragon entra a a polícia de Chicago, e, no decorrer de três edições, enfrenta uma variedade enorme de inimigos, apanha mais do que poderia aguentar, faz amigos, e, ao final da terceira edição, constata que ainda há muito trabalho para se fazer.

Larsen, às vezes, parece estar apenas jogando idéias no título. Mas são idéias bacanas, e é isso que importa. Os coadjuvantes são interessantes, apesar de pouco aparecerem. Star, o tenente Frank Darling, a parceira de Dragon, a policial Wilde, a vizinha Debbie Harris, e o Superpatriota, renascido como um ser mais máquina do que homem. 

A trama é corrida? É, mas em três edições Larsen dá ao leitor um aperitivo do enorme universo que criou para Dragon. Tanto quem curtia a Marvel dos anos 60, quanto quem curtia a Image da época acham o material interessante. Pode não ser a leitura mais aconselhável para quem está começando a ler quadrinhos agora, mas é, no final das contas, um material de grande potencial. Recomendo. Uma vez que você começa com Dragon, é difícil parar.

Você deveria ler The Darkness

The Darkness #07
Roteiro: Phil Hester
Desenhos e arte-final: Jorge Lucas
Top Cow / Image comics

Dando continuidade, ainda que de forma involuntária, ao tema "coisas bacanas que, aparentemente, só eu leio", vou tirar dois dedos de prosa pra falar sobre a surpresa dessa semana: The Darkness #7. Empolgado com a qualidade de Savage Dragon, conformei relatei anteriormente, resolvi dar uma chance à outros títulos da Image Comics. 

Sempre curti o personagem, desde os primeiros números publicados no Brasil, quando ainda era escrito por um Garth Ennis em modo automático, apenas garantindo o almoço das crianças. Hoje, Ennis deve estar feliz com o copyright do personagem, que virou um videogame de grande sucesso e teve seus direitos vendidos prum estúdio de cinema (o que, até agora, não foi pra frente).

No início, Jackie Estacado, um mafioso que, ao completar 21 anos, se descobre possuidor da "Escuridão", um poder milenar que corre pela sua família, era um personagem raso. As tramas eram cheias de ação e desenhos apelativos. E eu, um adolescente na época, adorava. Adorava mesmo. 

Hoje, relendo aquelas histórias antigas, vejo que os desenhos não eram tão bacanas, e as histórias, nem tão empolgantes, mas o potencial do personagem era claro. Paul Jenkins, escritor conhecido por sua passagem no Homem-Aranha e por ter criado o personagem Sentry na Marvel, começaria a escrever o personagem, e o levaria à extremos. Do céu ao inferno, Jenkins deu personalidade de verdade à Jackie, explorou seus coadjuvantes, seus motivos, lhe transformou num personagem de verdade. Levou os leitores ao céu enquanto levava Jackie numa espiral descendente de sofrimento e violência, que terminaria com a morte do personagem. Mas a escuridão não poderia perder seu portador, e Jackie voltou à vida. O personagem foi relançado, com relativo sucesso, mas os atrasos na arte e a posterior saída de Jenkins, capitão desse relançamento, acabariam afundando o título. 


Aqui, Jackie tenta pela terceira vez emplacar um título mensal. Escrevendo? Para minha surpresa, o desenhista Phil Hester, reconhecido por seu trabalho no título do Arqueiro Verde. Não apenas Hester me convenceu que é mais que um desenhista alternativo que fez sucesso, como mostrou um trabalho mais do que competente. Não é preciso ter lido nada antes dessa sétima edição, mas há um resuminho na primeira página situando os perdidos.

O "novo" The Darkness é excelente. Nessa história, os desenhos são de Jorge Lucas, que evoluiu MUITO desde que desenhou Wolverine. Lucas assumirá a arte por mais três ediçõs, enquanto o artista regular da série, Michael Boussard, descansa. Enquanto isso, vemos um trabalho consistente e, sempre bom dizer, surpreendente. Lucas já havia me surpreendido ao desenhar Ronan, uma das minisséries de Aniquilação, mas aqui entrega um trabalho mais sombrio, uma narrativa mais intimista e superior. Algo como Gary Frank encontra Jae Lee no início de carreira. Muito bom.

A trama é simples e direta. Jackie está sozinho no deserto, e vai parar numa cidade amaldiçoada por uma bruxa. A população quer entregá-lo à ela. Sem escolha, Jackie tem que enfrentá-la. O clima de suspense na história é dos melhores, a narrativa flui solta, e, quando você mal percebe, chegou ao fim. À primeira vista, pensei que a história era auto-contida, mas, aparentemente, é a primeira parte de um arco em quatro partes.

Mês que vem, com certeza, lerei a continuação.



Max Payne - O Filme

Aproveitei o feriado, e assisti Max Payne, recente adaptação do videogame homônimo, estrelada por Mark Wahlberg.  

Em síntese? É uma viagem, mas é muito bom. Nunca cheguei a jogar o original, mas, após o filme, fiquei interessado. Assistindo-o, é impossível não ficar imaginando as cenas como se você estivesse "jogando o filme". Mark Wahlberg pode até ser, para alguns, um ator limitado. Em alguns momentos, eu até chegaria a concordar, mas em filmes recentes como Os Infiltrados, O Atirador e nesse Max Payne, ele parece se encaixar perfeitamente ao personagem, entregando uma interpretação mais que competente. Além de ser muito carismático e com uma cara de mau comparável só à do Jason Statham.

A trama do filme é rasa, e cedo no filme eles acabam deixando óbvio quem são os responsavéis pela morte da esposa de Max, que ele tem caçado pelos últimos três anos. Não entregarei muito da história, deixo pra quem vai conferir o filme.

No mais, as cenas de ação são excelentes. É tudo muito visual. Peca pelo excesso, mas quem disse que excesso é pecado num filme desses? Há menos bullet-time do que eu esperava, pelos comentários que vi do jogo, mas todas as cenas compensam. Todos os tiroteios, em especial asequência final, em que só faltava o Max sair gritando MORTEMORTEMORTE, de tãoalucinado que estava, são incrivelmente empolgantes e frenéticas. Max é abordado de forma surpreendentemente tridimensional. Você acaba se importando com o cara. 

Enfim, uma adaptação acima da média (muito baixa com filmes como Street Fighter e D.O.A.), com um visual único e que, apesar de se basear em clichês e vícios do gênero, tenta trazer alguma novidade. Recomendo

segunda-feira, novembro 17, 2008

Leia Savage Dragon como se sua vida dependesse disso

Tá, eu sei que o título é exageradamente dramático, mas eu tinha que chamar a atenção de alguma forma pra uma as surpresas mais bacanas que tive essa semana: Savage Dragon #139.

Savage Dragon #139
Roteiro, desenhos e arte-final: Erik Larsen
Image Comics. 

Savage Dragon é escrita e desenhada por Erik Larsen desde sua primeira edição - uma longevidade digna de nota. 
Larsen começou a publicar o personagem em 1993, com o início da Image Comics. A editora foi um enorme sucesso de vendas no começo, como todo bom fã de quadrinhos sabe, e, pro bem ou mal, desencadeou grandes mudanças na forma como se encarava "a indústria", dando mais ênfase à qualidade da colorização e papel utilizados, pra início de conversa.

Mas, enfim, a maioria das coisas da Image ou eram mescla de conceitos mal-aproveitados (Wildcats e Spawn) ou simplesmente pastiches ruins (Youngblood e Cyberforce). Correndo por fora estavam os dois títulos verdadeiramente originais: Shadowhawk, do Jim Valentino e Savage Dragon. 

Mais de dez anos se passaram, e Larsen é o único que continua firme e forte com seus personagens. Os últimos anos foram muito erráticos para os fãs do Dragon, com edições atrasando meses, gerando grandes intervalos entre uma história e outra. Nos últimos quatro, cinco anos, pra você ter uma idéia, mal foram publicadas 20 edições do personagem. Esses atrasos - junto de uma trama cada vez mais intrincada, tornaram a revista bem pouco reader-friendly. E Larsen não segue a cartilha "divida a histórias em arcos de 4, 6 edições, fechando em si mesmas, pro encadernado", contando uma única, grande história, com uma trama principal e várias idéias surgindo, tal qual se fazia nos anos 60.

Sendo muito sincero? Não entendi muito dessa primeira edição. Apesar de haver um resumo na primeira página, que situa o leitor o suficiente pra não ficar perdido, há muitos personagens, muitas histórias. Num primeiro momento, é complicado. Dragon está procurando sua mulher, que está desaparecida, ao passo que também terá que enfrentar Solar Man, um Superman louco e assassino, enquanto seu filho está perdido numa dimensão alternativa, tentando voltar pra Terra... São muitas tramas ao mesmo tempo.

Mas, como resumiu um colega que também voltou a ler Dragon: É impossível não simpatizar com Erik Larsen. E isso é a mais pura verdade. Impossível não ler a revista e rir das piadas, se empolgar com as diversas porradas, ficar angustiado nas perseguições... e ficar louco pela próxima edição

Continuarei acompanhando a revista, com certeza. Vale muito mais a pena do que a maioria dos "super-heróis" que atolam as bancas. E, por mais que eu tenha soado negativo, é sim um bom momento pra começar a acompanhar. Como falei, é tudo uma grande história, é tão bom começar agora quanto começar na próxima. E, de brinde, você ainda leva uma participação mais que especial de um dos personagens mais simpáticos dos últimos anos: Invencível, o super-herói criado por Robert Kirkman.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Facebook



Eu sempre fui mezzo contra esse excesso de redes sociais. Já havia sido convidado para fazer parte do Facebook, hi5, Tagged, Friendster, MySpace, Twitter... Alguns até antes de virar modinha, outros bem depois. Nunca aceitei.

Criei meu orkut anos atrás, em 2004, e sempre achei que fosse o suficiente. Os anos foram se passando, e fui vendo quase todas as pessoas que eu conheço também criando um orkut. Até que meio que enjoei. Nunca fui de ficar trocando scraps, e as comunidades já não me interessavam mais tanto assim. Aí vieram os aplicativos, como o BuddyPoke, e eu acabei me re-viciando.

Após a insistência de uma tia, que já havia se viciado, criei meu perfil no Facebook. PQP, que negócio legal! É bem mais "internacional" que o orkut, o que permite o contato com gente dos mais variados lugares. Adicionei diversos aplicativos, e o feed de notícias é bem dinâmico e interessante.


Enfim, tô curtindo e recomendando.

Segurança Nacional - O Filme


Segurança Nacional é um vindouro filme brasileiro, protagonizado pelo Thiago Lacerda. Acima, vocês conferem o trailer, ainda que numa versão inacabada - "vazou" no YouTube, logo, não podemos esperar perfeição de som e edição. 

Eu não faço parte daquela corrente ufanista, que vai ao cinema assistir todo e qualquer filme nacional, como se isso fizesse de mim um patriota. Mas como ficar em cima do muro é muitas vezes a coisa mais sensata a ser feita, muito menos sou da corrente que cobra perfeição do cinema brasileiro. 

Entendo as condições/limitações do nosso mercado, e creio que qualquer iniciativa de se produzir algo aqui é louvável. Se o produto final almeja um resultado diferenciado, mais louvável ainda. 

Fugir do esquemão "Globo Filmes" é sempre interessante. Mas nunca esperei ver um filme de ação fora da Globo.  O filme, que contou com total apoio da Força Aérea Brasileira e do SIVAM, conta com os mais modernos aviãos brasileiros, com direito à várias sequências de combates aéreos. Thiago Lacerda protagoniza como Jack Bauer/Maverick brasileiro, Milton Gonçalves é o Obama, digo, o Presidente do Brasil e a Ângela Vieira, a presidenta da ABIN. 

Eu curti o trailer, parece ser bem interessante. Há aqueles pontos que eu destaco logo, antes dos detratores:

1- Quem diabos usa duas camisas no calor infernal que faz em Manaus? Só o Thiago Lacerda querendo pagar de gatinho e o figurinista pra acharem isso...
2- A bomba que explode... Vai cair aonde? Em Manaus?

Fora isso, devo admitir, estou ansioso pelo resultado final. Fugir dos dramas baseados em fatos reais e das comédias românticas, que até pouco tempo atrás eu diria que resumia a produção nacional - não consigo lembrar de nenhum filme dos últimos anos que não se enquadre numa dessas duas categorias, se houver, por favor, me corrijam - já é mais do que suficiente pr'eu ficar na torcida por esse filme.

domingo, março 09, 2008

Passa o celular!

Trabalho no centro da cidade, e ando muito de carro. Pra economizar estacionamento, pago uma vaga mensal num estacionamento relativamente perto do meu trabalho. Ando um cinco, dez minutos, mas economizo uma grana violenta, em comparação com os outros estacionamentos. Como trabalho das 8 às 18, nunca me preocupei muito com assalto, e fui abestado à ponto de seguir sempre o mesmo caminho, parando na mesma banca.

Enfim. Foi nessa terça-feira, dia 4, mais ou menos 15h30, e eu estava andando na calçada/meio-fio entre as duas faixas da rua que tenho que atravessar pra chegar à loja. Falava ao celular com minha namorada quando ouvi um "Ei amigo! Ei amigo!", só que, distraído pelo celular, nem dei muita atenção, até que desliguei o celular e me virei para atravessar.

Pronto, arma na barriga e um doido falando pra mim "Bora! Passa o celular! Passa o celular!". Eu fiquei tão pasmo com a situação que só consegui falar um "Como é que é?"

"Passa o celular! Passa o celular! E nem pensa em correr, senão eu te queimo"

Cara, era DE DIA! E a rua tava CHEIA DE GENTE! Eu simplesmente não estava acreditando que aquilo tava acontecendo. Tanto não estava acreditanto que falei pro cara, meio sem pensar:

"Cara, tu é doido? Tu não vai atirar, tu não é doido. Tá cheio de gente aqui, tá de dia, porra! Todo mundo vai te ver! Tu é doido? O que você tá fazendo? Se você precisa de ajuda pra alguma coisa, pede! Pede que eu te ajudo, mas pra que isso cara! Tu é doido?"

E aí... Não, eu não peguei uma bala pra deixar de ser engraçadinho. O assaltante SE CONSCIENTIZOU! E, pasme, até PEDIU DESCULPA!

"Que é isso cara, desculpaê, isso foi só uma brincadeira, não queria te assaltar, mas é que eu precisava de dinheiro pra tomar um ônibus, pra fazer uma rota aí, e tô com dificuldade".

"Pô cara, toma aqui esse dinheiro". Dei uma graninha pro cara e ele se mandou, dizendo que tava sempre por ali e que iria me pegar se eu "dedasse" ele.

Bem, eu escapei e, principalmente, mantive o celular. Mas o absurdo do assalto ficou na minha cabeça. Durante um bom tempo, só andei de ônibus, indo inclusive, à trabalho, pra alguns bairros meio perigosos da minha cidade. Nunca fui assaltado. Meu primeiro período inteiro de faculdade eu ainda não tinha carro, e andava de ônibus 22h, 22h30. Descia na parada e dava sempre uma pernada bacana até a minha casa, numa área meio perigosa e com parca iluminação, E NUNCA FUI ASSALTADO. Eu ando de carro um mil quilômetros/mês, e quase nunca pego sinal aberto. E nunca nenhum moleque veio com graça pra cima d mim pra querer meu celular, só pra lavar o vidro do carro mesmo.

Todos, sem exceção, todos os amigos que eu tenho já foram assaltados. Minha mãe, meu irmão. Todo mundo. Mas eu nunca tinha sido. Mais cedo ou mais tarde tinha que acontecer, eu sei.

Logo depois do assalto, liguei pra minha namorada e contei pra ela. Eu tava rindo de nervoso e ela nem acreditou. Voltei a trabalhar normalmente, e meus colegas, de trabalho e de faculdade, também mal acreditaram na história, que já virou lenda na faculdade.

E eu nem vou dizer quanto que eu paguei pro cara, que aí que ninguém vai acreditar mesmo na minha história.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Hello Kit.. Vader!



Vi no BLOGZine e, er... bem... hum...

Preciso comentar? =D

domingo, julho 23, 2006

Confie.

Confie.

Confie na vida. No acaso. Na sorte e no azar.
Confie nos seus amigos. E, pode confiar, um dia, algum deles vai te trair. E, confie, você vai se magoar profundamente. Mas, confie, você vai superar, e, ainda que pense que nunca mais vai conseguir confiar em ninguém, saiba que não vai ser bem assim. Continue confiando.

Confie que as coisas vão, volta e meia, dar errado. Que você provavelmente vai acabar se desanimando, mais dia menos dia. Mas confie também que, no final, por mais piegas que isso possa parecer, as coisas sempre dão certo.

E, claro, confie que elas vão, eventualmente, dar certo. E que você vai ficar animado com isso.

Confie que sua vida vai ser feita de altos e baixos. Confie que, por mais que os troféus que celebram suas vitórias possam brilhar na parede, vão ser aquelas vezes em que falhaste que grudaram no seu pensamento.

Mas confie. Confie que as coisas vão melhorar. Confie que vá ser magoado, que vai ser mal-tratado...

...mas confie que vai ser amado, que vai ser vitorioso, que tudo vai ser diferente.

Confie que sempre existiram spams na sua caixa de e-mails, artigos ruins na Wikipédia, críticos odiando aquele filme que você adorou (ou amigos elogiando aquele que você achou uma merda)...

...e confie que sempre existirá aquele momento de inspiração, em que escreverá sobre como um simples ato - o de confiar - pode fazer toda a diferença.
Confie que existirão momentos em que tudo vai dar errado. Mas, logo em seguida, haverá um momento em que tudo fará sentido. Em que tudo dará certo, mesmo que você não perceba.

Confie que você vai desperdiçar grandes oportunidades e nem sempre você terá o que quer.
Mas, confie que, muitas vezes, você terá não o que quer, e sim, o que precisa.

Confie. Faça isso. Confie.

Confie na vida, nos momentos de inspiração, no seu chefe lhe dar um aumento, que você vai encontrar "aquela pessoa". Confie que haverão coisas ruins. Pode até ser que elas sejam muitas...

...mas confie. Confie que haverão coisas boas. E no final do dia, é isso que importa.
Pode confiar.

sábado, julho 22, 2006

O Homem de Ferro vai ter filme...

...e por que diabos você deveria se importar com isso? Afinal de contas, Superman, Batman, X-Men, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha já viraram filmes. Quem que sobra?

É, o Ferroso talvez não seja tão conhecido fora do meio quadrinístico, mas uma coisa eu garanto: É um dos melhores personagens que você não conhece.

Tão inteligente quanto Batman, e com uma armadura capaz de deixá-lo tão poderoso quanto Hulk e Superman, Tony Stark é o milionário bêbado mais carismático dos quadrinhos. Se adaptado direito, acredite, vai ser um sucesso. Imagine uma mistura de George Clooney e Johnny Deep com efeitos especiais e você tem mais ou menos o conceito do HdF.

Seu filme é esperado pra 2008, e será dirigido por Jon Favreau, e antes que você diga QUEM?, explico: Jon Favreau é um bom ator, meio B, mais conhecido, talvez, por ter interpretado Foggy Nelson no subestimado Demolidor. Dirigiu Zathura e Um Duende em Nova York (Elf, no original), se mostrando, segundo crítica e público - eu sei lá, não vi nenhum dos dois - um competente e promissor diretor infanto-juvenil.

Entretanto, o cara promete um enfoque mais realista, com menos efeitos especiais pro filme, um lance meio Batman Begins. Será que ele dá conta? Eu boto fé, principalmente por ver o respeito que o cara tem pelos fãs dos quadrinhos, tendo, inclusive, criado um MySpace pro filme, aonde responde as perguntas da galera.

Eu boto fé, e você?